História

"Nada é mais importante do que sermos o colo que acolhe na hora em que a vida parece não ter sentido. É nosso dever levar palavras que confortam, silêncio que respeita e amor que promove esperança quando a vida parece desabar."

Mônica Xavier

monica_xavier


Apaixonada por projetos de transformação social, principalmente aqueles relacionados à inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade física e/ou emocional e pelo acolhimento de suas famílias, trabalho na área social, como educadora, há 20 anos. 

Vinte e oito anos atrás nasceu o Bruno, meu primeiro bebê prematuro. Depois nasceu o Thiago, prematuro de 34 semanas, ficou 15 dias na UTI neo natal e eu fui pra casa sem o bebê.

E aí nasceu o Guigas (o Guilherme), prematuro de 33 semanas. Foram 59 dias de UTI. Dias muito difíceis. E, como ele nasceu em um excelente hospital de São Paulo, as pessoas me olhavam e afirmavam que não havia razão para sofrer e, muito menos, para chorar.

Só eu sabia o que se passava no meu coração....

O tempo passou e depois de muito tempo eu conheci um outro bebê, a Isis.

A Isis nasceu há quase 4 anos. Não, ela não é minha bebê. A Isis nasceu com síndrome de Down.

Quando ela chegou minha cabeça virou um só ponto de interrogação: como será que sua mãe está? O que será que está passando por sua cabeça? Como será que o casal está dando conta dessa situação? 

Toda a minha solidão, a minha insegurança, os meus medos e a falta de informação de 28 anos atrás voltaram a me assombrar, e eu não conseguia pensar  em mais nada a não ser em um turbilhão de perguntas. Quem vai cuidar dessa mãe? Eu sabia que o bebê estava bem, mas quem cuidaria dessa mãe já que ninguém havia cuidado de mim lá atrás? Será que alguém iria ouvi-la e validar suas emoções, não importando quão sombrias pudessem ser naquela hora? Quem teria a coragem de dizer a ela que tudo bem chorar e questionar o Universo por ter dado a ela o bebê que ela jamais esperou ter? Alguém a olharia bem no fundo dos seus olhos e diria que sim, que ficaria tudo bem?   

Alguém teria a ousadia de garantir a essa mulher que há esperança de futuro e muitos outros sonhos para sonhar? 

O projeto nasceu quando a Isis nasceu.

Hoje já são quase 5 anos de muito estudo e muita pesquisa para que todo o trabalho do Empathiae seja feito com excelência.

Há centenas de mães de UTI, mães de bebês com cardiopatias, mães de bebês sindrômicos, mães de bebês com qualquer outro tipo de problema que precisam de nossa ajuda.

Mães que precisam ser ouvidas e não julgadas por suas emoções nessa hora de dor e de perplexidade.

Mães que sofrem justamente por não saberem que há momento para sofrer e que elas também têm esse direito.

Mães que não sabem que o choro pode durar uma noite, mas que o amanhecer traz com ele alegrias e novos desafios e que viver vale muito a pena. 

Mães só precisam de uma palavra de esperança!