A campanha que foi um tiro no pé.                                           Texto de Mônica Xavier

Quando percebi fotos do outdoor de Curitiba pipocando aqui e ali, logo imaginei alguém em busca de 5 minutos de fama.

Indignada, fiquei speachless, como brincava meu pai.
Meu estômago apertou, sensação que tenho quando visceralmente incomodada.
Mas, incomodar-me, por que?
E, por que continuar incomodada se a campanha veio com a melhor das intenções?
Convenhamos, de gente bem intencionada o inferno pulula!


Foram 24 horas, talvez um pouquinho mais, gerando muito sofrimento para as pessoas com deficiência e suas famílias. De uma hora para outra a possibilidade iminente da perda de direitos tão custosos de serem adquiridos foi muito mais do que real.
Uma minoria extremamente sofrida percebendo o gigante de uma maioria estúpida a caminho de um massacre.
Pessoas com deficiência expondo sua condição nas redes, clamando por compaixão.
Pessoas com deficiência que têm tão pouco, na verdade quase nada, implorando que não tirassem o pouco que se tem.
Difícil acreditar que o responsável por ela é o próprio Conselho municipal da pessoa com deficiência de Curitiba, conselho criado para proteger e não agrediir


"Ah, mas é direito constitucional, ninguém perderá nada, deixe de ser ingênua..."

Direito institucional que não sai do papel.

Direito institucional contra o qual uma elite que se julga perfeita entra com mandato judicial para evitar a convivência com o diferente, barrando o acesso a uma educação privada e onerosa, opçãp à educação pública de qualidade hoje inexistente.

Direito constitucioanal que garante uma porcaria de uma vaga no estacionamento de um shopping enquanto o direito à saúde descente e realmente universal não passa de utopia.

Campanha realizada por quem, em momento algum, se colocou no lugar do outro para imaginar como ele se sentiria ao perceber-se vítima de tamanha agressão.

Campanha que bateu para depois assoprar.

Campanha que machucou.

Publicidade reversa, cara pálida?

Com certeza. O tiro saiu pela culatra.